A intensificação do fenômeno El Niño tem aumentado os desafios enfrentados pelos produtores de leite no Agreste de Pernambuco. Com reservatórios em níveis baixos, pastagens comprometidas e temperaturas elevadas, os criadores precisam lidar com o aumento dos custos de produção e a redução do rendimento das propriedades leiteiras.
As condições climáticas afetam diretamente a alimentação e o manejo dos rebanhos, exigindo dos produtores alternativas para garantir a disponibilidade de água e alimento para os animais. O cenário também levanta preocupações sobre a continuidade da produção e o abastecimento de leite na região.
Apesar das dificuldades, Pernambuco mantém posição de destaque na pecuária leiteira nacional. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado produziu 1,53 bilhão de litros de leite em 2025, ocupando a sétima posição entre os maiores produtores do país e liderando a produção no Nordeste.
De acordo com o Sindicato dos Produtores de Leite de Pernambuco (Sinproleite-PE), o estado reúne aproximadamente 60 mil produtores, dos quais 80% são pequenos criadores. Esse perfil evidencia a importância da atividade para a geração de renda e a manutenção de famílias no campo.
AGRESTE CONCENTRA A MAIOR BACIA LEITEIRA DO ESTADO
A produção leiteira pernambucana está concentrada principalmente no Agreste, região formada por 71 municípios que abriga a maior bacia leiteira do estado.
Levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) aponta que o Agreste produziu 963 milhões de litros de leite em 2023. Entre 2013 e 2023, o volume registrou crescimento de aproximadamente 127%, demonstrando a expansão da atividade e sua relevância para a economia regional.
O avanço da produção, no entanto, contrasta com os desafios impostos pelas condições climáticas. A escassez de água e a redução da disponibilidade de pastagens podem elevar os gastos com alimentação suplementar e outras medidas necessárias para manter os animais.
Diante desse cenário, os efeitos do El Niño representam uma preocupação para uma cadeia produtiva que reúne milhares de pequenos e médios criadores e movimenta a economia de diversos municípios do interior pernambucano.
A evolução das condições climáticas, dos níveis dos reservatórios e dos custos de produção será determinante para avaliar os impactos sobre a atividade leiteira nos próximos meses.




